Ajoelhei e rezei para que meus dias se tornassem um pouco melhores. As coisas estavam difíceis. Sorrisos saiam coercitivamente, lágrimas espalhavam-se pelo meu rosto. Não havia nada em mãos, nenhum plano B, nenhuma mão para me segurar caso estivesse prestes a cair. Estava aceitando o modo como as coisas estavam caminhando de modo incorreto, me encontrei não respirando para que eu conseguisse afundar um pouco mais, perdendo o sentido, as lembranças, o controle. Eu não quero que as coisas caminhem assim, erradas, tempestivas, confusas, incompletas.
O tempo é tão curto, a qualquer momento os seus pés podem se perder no meio da caminhada e te levar para o pior sentido, você pode inclusive cair em um deserto, voltar ao subúrbio ou acordar em um abismo. Eu estive dormindo por um longo tempo, sonhando, esperando, conformada, ausente do meu próprio eu por conta de toda esta poeira, mas eu não posso deixar que ela me faça permanecer dormindo, sonhando, esperando e me conformando com o lixo ao meu redor. Levanto-me daquele chão em que joguei todos os meus pecados, vou à procura de soluções, correções.
Ao me corrigir percebo que existem erros piores que os meus, problemas maiores para serem solucionados e há muita força aqui dentro, muita força, eu não preciso mais ser como antes, porque reconheci que posso enfrentar tudo e enfrentei. Nada foi, é, ou será fácil na vida. Se for fácil está errado.